Linhas de pesquisa

do “rap”, o “hip-hop” ou o Holocausto à América colonial

As minhas linhas de pes­qui­sa refle­tem uma com­bi­nação dos meus inter­es­ses pes­soais e expe­riên­cias de vida que mol­da­ram a minha tra­je­tó­ria aca­dé­mi­ca. Desde cria­nça, sem­pre tive uma pai­xão pela his­tó­ria, o que me levou a pes­qui­sar a His­tó­ria da tra­dução e inter­pre­tação na Amé­ri­ca colo­nial. O meu con­tac­to pre­co­ce com a músi­ca rap e o uni­ver­so hip-hop, no iní­cio dos anos 90, des­per­tou o meu inter­es­se pela Tra­duc­tion et lit­té­ra­tu­re des ban­lieues e o hip-hop como expres­são artís­ti­ca e cul­tu­ral: texto rap e tra­dução. O filme «La Haine», de Mathieu Kas­so­vitz, com a sua lin­gua­gem e esté­ti­ca, bem como o meu con­tac­to com as comu­ni­da­des migran­tes na infân­cia e ado­les­cên­cia, influen­cia­ram pro­fun­da­men­te essas linhas de pes­qui­sa.

Além disso, o meu pri­mei­ro con­tac­to com um tes­te­munho da Shoah, atra­vés da obra de Primo Levi, «Se Isto É um Homem», reco­men­da­da pelo meu pro­fes­sor de tra­dução geral, Xoán Manuel Garri­do Vila­ri­ño, que pos­te­rior­men­te seria meu orien­ta­dor de tese, des­per­tou o meu inter­es­se na (para)tradução do Holo­caus­to. Este inter­es­se expan­diu-se para a (para)tradução dos fas­cis­mos, explo­ran­do como esses even­tos his­tó­ri­cos trau­má­ti­cos foram inter­pre­ta­dos e tra­du­zi­dos. Nesta linha de pes­qui­sa, cola­bo­ro com o his­to­ria­dor bra­si­lei­ro Karl Schurs­ter, com quem par­tilho pro­je­tos de pes­qui­sa cen­tra­dos nes­sas temá­ti­cas.

A His­tó­ria da tra­dução e inter­pre­tação na Amé­ri­ca colo­nial explo­ra como essas prá­ti­cas se des­en­vol­ve­ram duran­te o perío­do colo­nial e de con­quis­ta, bem como o seu impac­to nas socie­da­des da época. No âmbi­to desta linha de inves­ti­gação, apro­fun­dei-me na figu­ra dos intér­pre­tes no con­tex­to das pri­mei­ras expe­dições euro­peias ao con­ti­nen­te ame­ri­cano e a outros terri­tó­rios, como é o caso de Gon­za­lo de Vigo, con­si­de­ra­do o pri­mei­ro euro­peu a deser­tar e a con­vi­ver com os povos ori­gi­ná­rios. Fruto deste tra­balho, e após uma entre­vis­ta publi­ca­da no Faro de Vigo na qual falei sobre esta figu­ra his­tó­ri­ca, o então pre­si­den­te da Auto­ri­da­de Por­tuá­ria, ao ler o arti­go, deci­diu pro­mo­ver a rea­li­zação de uma escul­tu­ra em home­na­gem a Gon­za­lo de Vigo, incen­ti­van­do assim o reconhe­ci­men­to públi­co da sua rele­vân­cia his­tó­ri­ca.

Tra­duc­tion et lit­té­ra­tu­re des ban­lieues enfo­ca-se na tra­dução e na lite­ra­tu­ra das peri­fe­rias urba­nas, ana­li­san­do como as vozes mar­gi­na­li­za­das são repre­sen­ta­das e tra­du­zi­das; e o hip-hop como expres­são artís­ti­ca e cul­tu­ral: texto rima­do e tra­dução inves­ti­ga a tra­dução de letras de rap e a sua rele­vân­cia cul­tu­ral e artís­ti­ca.

Outra linha de inves­ti­gação em que estou envol­vi­do é a loca­li­zação de video­jo­gos e tudo o que envol­ve a indús­tria. Este inter­es­se sur­giu com a criação do títu­lo pró­prio ETIV, dos pré­mios ETIV-UVigo e das siner­gias gera­das com empre­sas do setor, o que me per­mi­tiu apro­fun­dar os des­afios espe­cí­fi­cos da tra­dução e adap­tação cul­tu­ral no domí­nio dos video­jo­gos, assim como o seu impac­to cres­cen­te enquan­to indús­tria cul­tu­ral glo­bal.

 

o Holocausto

A (para)tradução dos fas­cis­mos e a (para)tradução do Holo­caus­to, duas áreas crí­ti­cas, exa­mi­nam como esses perío­dos som­brios da his­tó­ria foram tra­du­zi­dos e repre­sen­ta­dos em dife­ren­tes con­tex­tos e lín­guas. Todas essas linhas de pes­qui­sa estão vin­cu­la­das aos estu­dos de tra­dução e inter­pre­tação em geral e à noção de para­tra­dução, da École de Vigo em par­ti­cu­lar, uma abor­da­gem que con­si­de­ra não ape­nas o texto tra­du­zi­do, mas tam­bém os ele­men­tos para­tex­tuais e cul­tu­rais que cer­cam e afe­tam o pro­ces­so de tra­dução.

As minhas expe­riên­cias pes­soais não ape­nas enri­que­ce­ram a minha com­preen­são des­ses temas, mas tam­bém orien­ta­ram a minha pes­qui­sa para áreas que com­bi­nam o meu amor pela his­tó­ria, cul­tu­ra e músi­ca, e o meu com­pro­mis­so com a memó­ria his­tó­ri­ca e a jus­tiça social.